quinta-feira, 17 de junho de 2010

Bobagens (perfeitamente) esquizofrênicas.

Lembro-me que eram um bando de máquinas. Invenções de todos os tipos. Criadores e criaturas circulavam, demonstravam, apelavam. No meio estava uma daquelas invenções cômicas, abistratas e curiosas, com uma placa dizendo: "Máquina do Amor Perfeito".
Ri, balancei a cabeça negativamente e entrei. Entrei pensando "bobagem, bobagem, bobagem! Amores perfeitos não existem!".
A máquina, para minha surpresa, era vazia, metálica, temperatura ambiente. Romântico? Em lugar nenhum. Sentei ao chão e dei uma gargalhada. Que tolice eu estava fazendo? Metais e vácuo não geram amores, perfeitos então? Faça-me rir. A porta se trancou automaticamente, por tempo indefinido, sei lá... Me restava suspirar (de tédio talvez).
"Aha, amor perfeito.. Hum!" - resmungou uma vozinha na minha cabeça.
"Escolha!" - desafiou a outra.
"Escolher o quê, criatura?"
"A pessoa certa para você!"
"Não existe! Pessoas são incertas, amores inalcançáveis."
"Sim, existe! Princípes, que te ajudem a cozinhar, sejam amorosos, sorriem sempre, te mantêem magra. Mas, vamos lá! Se quiser, pode ser princesa também. Eu não ligo!"
"Sinceramente? Não quero isso, não. Que assunto bobo, de gente ilusória!"
"Típica pessoinha cética, você!"
"Não é ceticismo, coléga. É simples opinião. Beleza vale, prefiro loiros, médios. Mas se você quer amor, qual é a importância da aparência? Quero mesmo uma pessoa de verdade. Que brigue comigo porque deixei salgadinho sobrando por frescura, ou porque comi demais e não sobrou. Quero que me contrarie, grite, me infernize. Alguém que eu possa descançar minha cabeça em seu ombro no final do dia; que divida a cerveja, a alegria e a tristeza. Dê gargalhada dos meus errinhos bobos, me dê moral nos tombos mais feios. Mexa com minha cabeça, descontrole meu sistema nervoso e abale minha frequência cardíaca. Pessoa perfeita é quem grita que me odeia, diga adeus, nunca mais, no final volte atrás. Me dá a mão, o braço, o abraço; e vire pros seus amigos e diga: "É ELA!". A pessoa perfeita é tão imperfeita que não será inalcançável, estará lá do meu lado."
Não houve réplica.
Acordei.
Minha cabeça estava zonza, meu coração batendo diferente. Bocejei. Que inferninho era aquele dentro da minha cabeça? Quantas pessoas gritavam lá dentro? Perdi a conta.
Pensei. Sorri. Não era tão inferninho, era somente minha pessoa menos ilusória procurando válvulas de escapes no meio de um caos emocional, ao meio de pedaços de coração partido e gritos decepcionados.
Levantei da cama e pensei: "Bobagem, bobagem, bobagem! Máquinas de amores perfeitos são bobagens".
Ri.
"Amores, somente amores.. não são."

5 comentários:

Carolinne Taveira disse...

"Bobagem, bobagem, bobagem! Máquinas de amores perfeitos são bobagens".

Lindo texto, Maria Rita. ^^

wellen disse...

É bobagem mesmo pensar q o amor
perfeito vem em maquinas, talves ta aqui do nosso lado e não vemos né!!!

Luciana disse...

Bobagem, bobagem mesmo. Tudo muito perfeito é purissima bobagem.

Vi disse...

cada dia fico mais surpresa com seus textos.
adorei o tema, o texto, as palavras.

se cuida :*

gabriela m. disse...

Beleza vale, prefiro loiros, médios. Mas se você quer amor, qual é a importância da aparência? Quero mesmo uma pessoa de verdade. Que brigue comigo porque deixei salgadinho sobrando por frescura, ou porque comi demais e não sobrou. Quero que me contrarie, grite, me infernize. Alguém que eu possa descançar minha cabeça em seu ombro no final do dia; que divida a cerveja, a alegria e a tristeza. Dê gargalhada dos meus errinhos bobos, me dê moral nos tombos mais feios. Mexa com minha cabeça, descontrole meu sistema nervoso e abale minha frequência cardíaca. Pessoa perfeita é quem grita que me odeia, diga adeus, nunca mais, no final volte atrás. Me dá a mão, o braço, o abraço; e vire pros seus amigos e diga: "É ELA!". A pessoa perfeita é tão imperfeita que não será inalcançável, estará lá do meu lado.

Vou roubar outra vez.