sábado, 11 de abril de 2009

Eu ainda vou viajar.

A maioria das pessoas apenas sabe dizer, dizer e dizer como se a opinião deles fizesse de mim uma pessoa, nunca querem ouvir o que tenho para falar e se ouvem, me acham estranha.
Então estou louca para deixar meus bens mais valiosos com o meu cachorro (mesmo que eu não tenha cachorro, deixo com o da vizinha) e ir viajar, apenas levar um livro e um papel com caneta, ir com a roupa que estou no corpo e só. Quero ir para a África, Europa, Oceania, quero entrar num barco rumo à Antártida e por ali ficar.
Vejo no seu subnick frases de felicidade por ter visto uma pessoa que nem te dá bola e eu aqui toda boba por você, e você sabe disso; me dá esperanças, e palavras fofas, mas no fundo eu nunca sei o que se passa. Toda vez que vejo você pensando em outra, fico louca de ciúmes e quero me matar por ser tão idiota, já pensei em agulhas e gás do meu fogão. Vou até ali pegar o fósforo e a tesoura, mas percebo que não quero parar num caixão, prefiro sofrer e tentar te ter, ou fugir em um avião.
Daí em um ato desesperado, puxo a tomada do meu computador e vou para o quarto, e ao invés de tudo sumir, parece que tudo vem à tona: o bebê da casa da frente grita e chora, o cachorros da vizinha latem, o bêbado passa cantando musicas de fossa, e minha mãe bate na porta.
Então religo o computador, entro no MSN e falo com você, falo com raiva de tudo ao mesmo tempo, mas falo; tenho crise de desamor, parece que sou uma mentira e sempre fui, e para aumentar mais a minha raiva, eu somente me sinto sincera quando digo que te amo, mas eu não quero dizer, talvez eu fale demais, sim. Talvez. Passo a noite toda acordada para de manhã dormir e de manhã levantar cheia de sono e um caco por causa da minha raiva do dia anterior, não quero falar com ninguém, é meio desprezo, meio ignorância, meio uma barreira de proteção para não chorar, e ninguém entende. Chego na escola e ouço minha amiga falar que estou estranha e horrível, a professora não se importa com o meu estado e aplica uma prova, eu respiro ofegante, com uma vontade louca de não respirar e você respira tranqüilo, com uma vontade louca de viver.
Penso novamente na tesoura, no gás, na agulha, no fósforo e na bebida, tudo o que tenho direito, não digo nada para ninguém me dizer nada, então volto para o computador, olho o seu nome na minha lista de contatos e quero desligar tudo, deletar o seu contato, a minha conta, e desligar o computador, é inútil, onde eu olho eu vejo você, penso em você e respiro você. Então, esqueço o caixão e ainda vou viajar, pena que sempre te levarei no coração.

Um comentário:

Calvin disse...

Pra mim que conhece a história o texto se torna mais bonito ainda.
Um bom resumo de tudo, misturando o que sente e uma "lição de moral". Gostei, como sempre!
Adooro-te, Marry :)